Categorias

terça-feira, 26 de janeiro de 2016

ALIMENTAÇÃO E REFLUXO GASTROESOFÁGICO

                    
 

      Quem já não sentiu aquela sensação desagradável de ter engolido uma bola de fogo que fica “queimando” o estômago e chegando até a garganta depois de ter se alimentado? Pois é, o nome técnico que a medicina dá para este sintoma é pirose, também conhecido popularmente por “azia”. Estima-se que cerca de 45% da população ocidental já tenha experimentado esta desagradável sensação pelo menos uma vez no mês e que 5 a 10% deste grupo possa repetir o sintoma diariamente. Não à toa é considerado um dos problemas mais comuns do aparelho digestivo, segundo a Federação Brasileira de Gastroenterologia. Embora possa ser um sintoma casual por um “excesso” de volume de alimentos, como comer exageradamente uma feijoada com muita pimenta regada à muitas caipirinhas, pode ter também uma causa específica conhecida como “refluxo gastroesofágico”.  Neste caso, o problema está na falha de um mecanismo natural (esfíncter inferior do esôfago) que evita que a acidez do estômago volte (“reflua”) para o esôfago. Quando esta falha ocorre, o suco ácido do estômago entra em contato com a parede interna do esôfago causando uma sensação de “queimação” na região,  podendo chegar até a garganta e causando um gosto azedo e ácido na boca. Na persistência deste quadro poderá surgir uma inflamação crônica do esôfago levando à formação de úlceras nesta região e até mesmo aumentar o risco de câncer esofágico.  

    Existem pessoas como gestantes, idosos e com excesso de peso ( com “aumento da barriga”) que tendem à ter mais facilidade de desenvolver o refluxo, mas também outros fatores como hérnia de hiato, tabagismo e determinados alimentos também contribuem para este quadro.  Vamos falar então agora dos alimentos nessa questão, existindo uma lista deles abaixo que pode desencadear ou exacerbar o refluxo gastroesofágico:

- Comidas gordurosas e frituras.

- Chocolate.

- Alimentos muito condimentados, principalmente com pimenta.

- Bebidas com cafeína.

- Frutas cítricas ( somente para algumas pessoas, é individual esta intolerância ).

- Essência de menta.

- Molhos de tomate.

- Alho e cebola ( somente para algumas pessoas, é individual esta intolerância ).

       Como lidar então com o refluxo ?  Quando a causa, como a hérnia de hiato por exemplo,  puder ser corrigida cirurgicamente o problema fica definitivamente corrigido.  Quando a causa são os maus hábitos como tabagismo, bebidas alcoólicas e comer em excesso, basta evitá-los que haverá boa melhora do refluxo.  Se são os alimentos citados acima os vilões da história é fundamental excluí-los do dia a dia que certamente trará melhor controle do quadro clínico.  Alimentos que diminuem a acidez do estômago podem contribuir para a diminuição da sensação de “queimação” após as refeições, como os legumes e verduras, com especial efeito positivo do “suco de couve” batido no liquidificador e não coado,  até 2 vezes ao dia, sendo considerado um alimento “alcalinizante” do estômago.

     Evitar refeições com quantidades exageradas, principalmente com os alimentos citados acima, evitar roupas muito apertadas, elevar a cabeceira da cama e evitar refeições maiores até 2 horas antes de dormir são atitudes que podem diminuir bastante os episódios de refluxo gastroesofágico, funcionando bem na sua prevenção.  Também existem tratamentos com medicamentos específicos, com orientação médica, que podem contribuir para o melhor controle dos sintomas e conjuntamente com a reeducação alimentar e correção de hábitos inadequados devolver a sensação de bem estar e qualidade de vida, já que ninguém merece tornar um suplício o grande prazer de uma refeição, feita com calma, em ambiente tranquilo, com alimentos saudáveis e porque não, acompanhado por pessoas de alto astral. Um brinde aos bons hábitos e cuide-se!    

sexta-feira, 27 de novembro de 2015

Quando o consumo de suplementos é realmente necessário Quando ingeridos de forma errada os suplementos podem causar diversos problemas de saúde




Nós médicos temos visto hoje, com certa frequência, o uso de polivitamínicos e minerais de maneira indiscriminada. Muitos na tentativa de freiar o envelhecimento, ou até mesmo rejuvenescer, outros na crença de que o fato de tomá-los impedirá o surgimento de várias doenças.
É fato, sem dúvida, que todas as vitaminas e minerais cumprem funções vitais para o perfeito funcionamento do nosso corpo e suas deficiências trarão prejuízo à saúde.
Porém, a questão a ser debatida, é se o uso deles em doses extras, às vezes até exagerada, poderá trazer alguma proteção a mais para nosso organismo, levando à uma longevidade com mais saúde. Primeiro, acho importante diferenciar os conceitos de dose complementar, suplementar e megadoses de vitaminas e minerais.
Consideramos uma dose complementar de vitaminas e/ou minerais apenas uma pequena quantidade que completa aquilo que o paciente pode estar deixando de ingerir no dia a dia, por uma alimentação desequilibrada ou insuficiente. Para compensar esta possível insuficiência de minerais e vitaminas numa alimentação desbalanceada surgiram polivitaminicos compostos por vários minerais e vitaminas, porém todos em doses pequenas, apenas para completar o que faltou na alimentação.
Nestes casos, não existe o risco de excesso, desde que tomado na dose recomendada pelo fabricante. Aqui fica um alerta para pessoas que compram polivitamínicos importados, principalmente dos EUA, onde a legislação permite altas doses de vitaminas e minerais em cada cápsula, muitas vezes 10 a 20 vezes mais que a dose total recomendada por dia.
Nestes casos há o risco de excesso, gerando riscos.Consideramos doses suplementares de vitaminas e/ou minerais quando queremos corrigir uma deficiência específica, já instalada, sendo esta dose maior que uma dose apenas complementar e chamamos de dose medicamentosa, como por exemplo a prescrição de sulfato ferroso para tratar uma anemia por deficiência de ferro e neste caso não há risco de excesso, pois o organismo está necessitado deste mineral, já que existe uma carência deste, mas ao ser corrigida a deficiência este tratamento deverá ser suspenso e à partir daí pode ser prescrito um polivitamínico com doses baixas para completar e até mesmo prevenir uma nova deficiência vitamínica.
Já as megadoses de vitaminas e minerais são doses bem elevadas, muito acima dos limites recomendados, e só podem ser prescritas estritamente por médicos, como o caso de doses elevadas de vitamina B3 (ácido nicotínico) para o tratamento da hipertrigliceridemia (elevação dos triglicérides). Neste caso, a vitamina virou medicamento e como tal pode ter riscos de efeitos colaterais e também ser contra indicada para determinados pacientes.
Compreendido então as diferenças acima, vou dar exemplos de situações onde são indicados complementos, suplementos ou megadoses de vitaminas:
  • Indivíduos que fazem atividade física intensa e com frequência devem tomar doses suplementares de vitamina C (até 500 mg /dia ), pois durante a atividade física intensa há produção endógena excessiva de radicais livres (stress oxidativo) e deverá haver uma produção compensatória de enzimas antioxidantes, entrando aí a vitamina C com esta finalidade, já que a mesma é utilizada para a produção destas enzimas. Neste mesmo grupo de pessoas também pode ser interessante tomar doses complementares de vitaminas do grupo B, como tiamina, riboflavina, niacinamida, ácido pantotênico e piridoxina, pois todas elas são utilizadas intensamente pelas células na produção de energia, o que ocorre mais intensamente durante atividades físicas extenuantes
  • Mulheres que pretendem engravidar devem fazer uso prévio de doses suplementares de ácido fólico ( 5 mg / dia ) já alguns meses antes de iniciar a gestação, com orientação do ginecologista/obstetra, já que isto diminui o risco de má formação fetal. Já as gestantes devem fazer uso de suplementos de ferro para evitar a anemia durante a gestação, pois ficam vulneráveis à esta condição
  • Vegetarianos estritos devem tomar doses complementares de vitamina B12 para evitar a carência a longo prazo deste nutriente
  • Mulheres que entram na menopausa devem fazer uso de doses complementares de cálcio e vitamina D para diminuírem o risco de osteoporose
  • Tabagistas inveterados devem fazer uso de doses suplementares de vitamina C (pelo menos 500 mg/dia) pois estes têm uma produção exagerada de radicais livres à nível pulmonar elevando o stress oxidativo (oxidação) deste órgão, sendo a vitamina C um importante antioxidante. Neste mesmo grupo de tabagistas deverá ser evitado o uso de suplemento vitamínico de betacaroteno, pois esta associação mostrou um maior risco de câncer pulmonar, segundo estudos já publicados anteriormente. Indivíduos que fazem uso crônico de bebidas alcoólicas em doses elevadas devem tomar doses complementares de vitaminas do complexo B, pois neste grupo há tendência de deficiência de algumas delas, especialmente a tiamina
  • Idosos que vivem em asilos e que dependem de cuidadores para se exporem ao sol e nem sempre recebem este cuidado com frequência, podem necessitar de doses complementares de vitamina D
  • Crianças que nascem de mães desnutridas ou em regiões de população de baixo nível econômico e endêmicas para deficiência de vitamina A devem receber injeção intramuscular de megadoses desta vitamina, para evitar deficiência imunológica e perda da visão dos recém nascidos
  • Doses suplementares de vitamina C (até 500 mg/dia) podem facilitar a eliminação de ácido úrico pelos rins, facilitando o controle deste em pacientes com hiperuricemia (elevação do ácido úrico no sangue)
  • Carências específicas de determinadas vitaminas ou minerais, por baixa ingesta, interação medicamentosa ou por doenças específicas devem ser avaliadas e tratadas após avaliação médica especializada.
Excluídas as condições onde há indicação de doses complementares, suplementares e megadoses de vitaminas ou minerais, quais os riscos do uso indiscriminado destes? Darei alguns exemplos para ilustrar esta pergunta. Os riscos começam pela interação entre as próprias vitaminas e minerais, quando doses excessivas são utilizadas com frequência, conhecido como interação nutriente-nutriente. Por exemplo, doses altas de zinco podem diminuir a absorção do ferro e do cobre, gerando risco de deficiência destes.
Megadose de vitamina D pode causar elevação excessiva dos níveis sanguíneos de cálcio (hipercalcemia) e até atingir níveis tóxicos com riscos graves à saúde. Polivitamínicos que contenham ferro são contra indicados em pacientes com hiperferritinemia, já que estes já possuem níveis elevados de ferro no organismo.
Doses elevadas de vitaminas e minerais antioxidantes (vitaminas A,C,E, betacaroteno, selênio, zinco, cobre, manganês) por tempo prolongado podem piorar a eficiência do sistema imunológico, já que quando um anticorpo se depara com uma bactéria invasora ele só consegue eliminá-la através da ação de uma enzima chamada mieloperoxidase, que tem efeito altamente oxidante sobre o invasor, ou seja, neste caso é a oxidação da bactéria que causa sua morte e então o uso frequente de altas doses de vitaminas e minerais antioxidantes pode prejudicar esta defesa natural.
Doses elevadas e contínuas de vitamina K podem alterar a coagulação sanguínea e desencadear quadros de trombose vascular. Vitamina A em doses altas e por tempo prolongado pode desencadear quadro grave de elevação da pressão intracraniana, podendo levar ao óbito. Altas doses de vitamina C ( acima de 5 gramas / dia) podem aumentar o risco de pedra nos rins.
Fica então claro, por tudo visto acima, que o uso de vitaminas e minerais deve ser orientado por profissionais especializados. Doses complementares podem ser prescritas por nutricionistas e médicos, porém doses mais altas - suplementares ou megadoses - por serem consideradas doses medicamentosas devem somente ser prescritas por médicos, após avaliação individualizada de cada paciente, definindo a dose adequada, o tempo de uso e até mesmo respeitar as contra indicações, quando existirem, pelo risco de efeitos colaterais, como qualquer medicamento.
Para encerrar o artigo não há riscos de excessos de vitaminas e minerais quando ingeridos pelos alimentos, pois nosso organismo elimina naturalmente aquilo que não mais será necessário para a manutenção das funções celulares. A melhor maneira ainda de se prevenir de uma carência de vitaminas e minerais é ter uma alimentação saudável, variada e composta por todos os grupos alimentares.